São cinco: montar o modelo de negócio, escolher um nome livre no INPI, encontrar uma indústria com pedido mínimo compatível com o seu bolso, definir dois ou três produtos que se complementam, e colocar tudo num cronograma com data.
E eles não precisam ser feitos nessa ordem. Aliás, quanto mais coisa você tocar em paralelo, mais rápido a marca sai. Digo isso nas primeiras aulas do curso: a ordem dos fatores não altera o produto.
O que mais afasta as minhas alunas do objetivo não é falta de dinheiro nem de vontade. É não saber quais são as etapas. Tem gente que carrega o sonho de criar uma marca há anos sem nunca ter parado para mapear o caminho.
1. Modelo de negócio
Antes de qualquer coisa prática, responda três blocos:
- Público. Para quem você quer vender.
- Canais de venda. E-commerce, ponto físico, revenda em outras lojas, ou produtos para complementar a renda do seu consultório, clínica ou salão.
- Projeção financeira. Quanto você tem para investir e quanto cada etapa vai custar.
Vale acrescentar também os diferenciais da marca e como será a gestão do dia a dia.
Existem vários modelos prontos de plano de negócio para pesquisar. Só procure um voltado para o setor cosmético, porque as etapas específicas mudam bastante.
2. Nome
Um projeto vira projeto de verdade quando ganha nome. Antes disso é ideia.
A regra de ouro tem duas partes: fácil de falar e livre para registro no INPI.
O INPI é o Instituto Nacional da Propriedade Industrial, e é ele que impede você de chamar sua marca de Boticário. Aquele nome já está registrado e em circulação.
Escolher nome não é sentar e esperar a inspiração chegar. Existem ferramentas e estratégias que estreitam as opções, e a consulta ao INPI precisa vir antes de você se apaixonar por qualquer coisa.
3. Indústria terceirista
Essa é a dificuldade de praticamente todas as minhas alunas, e é por isso que o meu trabalho existe.
O padrão do mercado brasileiro é pedido mínimo de mil unidades por produto. Se você quer lançar com um sabonete facial e um hidratante, são duas mil unidades para começar.
Isso não é só investimento alto. São produtos com prazo de validade ocupando um espaço físico que quase ninguém dimensiona antes de receber.
Por isso eu defendo começar com MVP: validar a ideia investindo o mínimo possível em estoque. Considero 300 unidades um pedido mínimo viável. Conheço indústrias que trabalham com 100, e 500 já me parece estoque bem considerável.
Como avaliar uma indústria
Expertise no seu segmento. Se você quer fazer capilar, veja se a indústria tem experiência nisso. Elas costumam abraçar todo tipo de projeto, mas cada uma domina de verdade um segmento — e é nele que ela se atualiza em ativos e entrega amostra boa.
Peça amostras. Mas não peça todas.
No início da minha marca eu achei uma indústria no Google e pedi quase todos os produtos do catálogo, um de cada. Paguei o valor cheio de cada um mais o frete, uns R$ 500. Detestei tudo.
Se eu tivesse testado dois ou três, teria chegado à mesma conclusão gastando um quinto disso. Quando você está indo no escuro, sem indicação de ninguém, vá devagar.
Pedido mínimo compatível com o seu projeto. Se você aceita começar com mil unidades, quase toda indústria te atende. Se quer começar enxuta, esse vira o filtro principal — e o mais difícil de resolver sozinha.
4. Esteira de produtos
No máximo três produtos para começar. E não recomendo começar com um só: acho arriscado demais.
O critério não é quantidade, é encaixe. Os produtos precisam se complementar, e o caso clássico é limpeza e hidratação: uma espuma de limpeza e um hidratante facial. Quem compra um pensa automaticamente em levar o outro.
Isso faz duas coisas ao mesmo tempo. Aumenta o ticket médio, que é quanto cada pessoa gasta na sua marca. E aumenta a recompra, porque são produtos de uso diário — a pessoa termina, gostou, compra de novo.
Recompra é fator determinante para uma marca sobreviver. Dois produtos que não conversam entre si te dão metade disso.
5. Cronograma com data
O que as minhas clientes de consultoria mais elogiam no feedback é o acompanhamento semanal. No começo de cada semana eu relembro quais etapas precisam ser executadas naquela semana.
Não é só organização. É previsibilidade, e é a sensação concreta de que o projeto está saindo do papel.
Projeto sem data na agenda não acontece. Se você quer lançar ainda este ano, essa parte não é opcional.
Por onde começar hoje
Comece pelo modelo de negócio e pela consulta de nome no INPI, que são as duas coisas que você consegue fazer sozinha, hoje, sem gastar nada.
A parte da indústria é onde quase todo mundo trava, e é onde ter alguém que já percorreu o caminho economiza meses. Na consultoria individual eu abro a minha rede de fornecedores e monto o cronograma semana a semana com você. No Do Zero à Marca Própria está o método completo em aulas gravadas, para fazer no seu ritmo.
Falei sobre isso em vídeo também: 5 passos para ter sua marca de cosméticos ainda este ano