Escolher nome não é sentar e esperar a inspiração. É um processo de brainstorm sem filtro, seguido de lapidação: você anota tudo que vem à cabeça, escolhe uma palavra que te agrada e explora sinônimos, outros idiomas, metáforas e variações até chegar em algo que esteja livre para registro.
Esse é o passo que mais trava quem está começando. E quase sempre trava pelos mesmos dois motivos.
Duas expectativas que atrapalham
A primeira: querer que o nome diga tudo. É quase impossível resumir num nome todos os adjetivos, diferenciais e significados que você enxerga na sua marca. O projeto é quase um filho, e a vontade de que o nome carregue tudo isso é natural. Só que ela paralisa.
A segunda: achar que o nome precisa ser autoexplicativo. Uma marca de skincare não precisa ter “skin”, “pele” ou “derma” no nome. Sair da caixinha facilita muito o processo criativo, e os melhores nomes do mercado provam isso.
Três exemplos que gosto de citar:
- Juro de Dedinho, uma doceria de Porto Alegre. Os doces são sem glúten, sem lactose e veganos, e as pessoas provavam perguntando “jura que é sem glúten?”. A resposta virou o nome. Nada de doce, chocolate ou saudável ali dentro.
- Rare Beauty, da Selena Gomez. “Rare” é o nome de um álbum dela, e virou o conceito da marca: a sua beleza é rara.
- La Roche-Posay é uma região da França. Ninguém pensa em nomear uma marca de skincare com o nome de uma cidade, e funcionou.
Considere usar seu nome, sobrenome ou iniciais
Essa é a semente que eu planto em toda aluna, e quase sempre gera resistência no começo.
Olhe o mercado: Hailey Bieber usou Rhode, que é o sobrenome do meio dela. Luciane Ferraz tem a LF Pro. Bruna Malheiros tem a BM Beauty. Letícia de Paula tem a LP Beauty. Bruna Tavares usa o próprio nome. E eu uso LM.
O raciocínio óbvio é que são todas pessoas conhecidas, e usar o nome próprio ajuda no marketing. Só que tem outra explicação, e ela vale para quem está começando do zero:
O mercado de beleza já tem marcas demais. Nome próprio, sobrenome e iniciais são muito mais difíceis de já estarem registrados por outra pessoa.
Ou seja: muitas vezes não é escolha de branding. É a saída que sobrou depois de várias tentativas barradas no registro.
Um ponto para pensar antes de decidir: se a marca crescer muito e um dia você quiser vendê-la, é bem mais fácil negociar uma marca com nome fantasia do que uma que carrega o nome da ex-proprietária.
O passo a passo
1. Escreva tudo, sem descartar nada
Sou perfeccionista e autocrítica, e ainda assim digo com convicção: não descarte as ideias que você julga ruins.
Abra um bloco de notas, um papel ou um mapa mental e anote tudo que vier, sem filtro. Se travar, comece por outro ângulo: quais sentimentos, valores e diferenciais você quer que a sua marca transmita? Quais palavras aparecem quando você pensa nisso?
2. Lapide cada palavra
Pegue as palavras da lista e explore cada uma:
- Sinônimos
- A mesma palavra em outros idiomas
- Verbos e adjetivos derivados
- Acrescentar ou tirar uma letra
- Significados, metáforas e origens
O nome quase nunca está na primeira lista. Ele aparece três ou quatro camadas depois.
3. Faça uma checagem rápida
Antes de se apaixonar, jogue o nome no Google e no Instagram. Não é a pesquisa definitiva, mas já elimina os casos óbvios em que alguém do setor de beleza já usa aquilo.
A verificação séria é no INPI, e ela precisa vir antes de qualquer decisão final.
Como eu cheguei ao nome da minha marca
Meu processo começou com palavras soltas que não me agradavam isoladamente: beleza, minha profissão, autocuidado, “sentir-se especial”.
Peguei “minha profissão” e comecei a desmembrar. Quando penso na minha profissão, penso em gostar do que eu faço. Quando penso em gostar do que faço, penso em dom.
Essa palavra bateu diferente. E é assim que funciona: você bate o olho e acha interessante.
Pesquisei rápido no Google e no Instagram e encontrei várias marcas chamadas Dom, inclusive no setor de beleza. Não daria para usar.
Mas eu não descartei a palavra. Fui atrás dos sinônimos, e achei bonito o significado de dom como presente — um presente divino, do universo. Coloquei “presente” no tradutor, testei vários idiomas, e gostei muito da versão em latim: donum.
Fechava com a palavra de onde eu tinha partido. Compartilhei com algumas pessoas e a maioria não gostou tanto. Para mim fazia sentido.
Aí fui pesquisar direito e já existia registro no setor de beleza. Também não daria.
Foi então que eu fui para as iniciais do meu nome, que nunca tinha sido a minha intenção. Justamente por ter passado por esse processo, eu não queria colocar meu nome na marca.
Ferramentas que ajudam
- Google Tradutor — para testar a palavra em vários idiomas
- Dicionário Criativo — traz sinônimos, metáforas e associações
- Lucidchart — gratuito, para montar o mapa mental se você prefere fazer no computador
Duas regras para bater o martelo
Fácil de falar, e livre para registro no INPI. Sem essas duas, nada do resto importa.
Se quiser fazer esse processo com acompanhamento — incluindo a verificação no INPI antes de você investir em embalagem e rótulo — a consultoria individual começa exatamente aqui. O Do Zero à Marca Própria tem essa etapa completa em aula, junto com todo o resto do caminho até o lançamento.
Falei sobre isso em vídeo também: Como encontrar o nome perfeito para a sua marca de cosméticos