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Fabricar cosmético em casa não é separar um cômodo limpo, comprar matéria-prima e vidraria e começar a produzir. Quem fabrica cosmético é enquadrado como indústria e entra na legislação sanitária de fabricação, com todas as exigências que vêm junto. Por isso eu oriento o caminho da terceirização, não o artesanal.

Recebo essa pergunta quase todo dia no Instagram. E a resposta incomoda, porque a ideia do artesanal parece o caminho mais barato para quem tem pouco dinheiro. Na prática, é o mais arriscado.

O que quase ninguém conta

Quem vende a ideia de cosmético artesanal costuma pular a parte da regulamentação.

Tudo que entra em contato com a pele cai na legislação de fabricação de cosméticos. E fabricar significa que você passa a ser considerada uma pequena indústria — com as obrigações de estrutura, área fabril e documentação que isso implica.

Uma pesquisa rápida sobre o assunto já mostra por que isso não é viável para quem quer começar com pouco investimento. Para se enquadrar de verdade seria preciso, no mínimo, um espaço com cômodos separados por função, como um laboratório.

“Mas quem vai descobrir?”

Essa é a pergunta seguinte, sempre.

Nos primeiros meses da minha marca, a vigilância sanitária apareceu para me fiscalizar. Tinham recebido uma denúncia anônima de que eu estaria fabricando cosméticos artesanais.

Eu não estava. Meus produtos já vinham de indústria terceirizada e registrados. Mas a fiscalização veio mesmo assim.

Moro numa cidade pequena, e nos últimos anos conheço pelo menos cinco casos de pessoas que começaram com sabonete artesanal e foram fiscalizadas depois de denúncia. Em todos, a exigência foi a mesma: se enquadrar em uma lista de obrigações ou fechar. Até onde eu sei, nenhum conseguiu se enquadrar.

Eu gostaria de dizer que as pessoas não fazem esse tipo de coisa. Fazem.

E tem o lado que ninguém mede: é frustrante tocar um negócio com a sensação de que alguém pode aparecer e derrubar tudo. Você não constrói nada com solidez assim.

O caminho que eu sigo e ensino

Terceirização de cosméticos. Funciona assim: você encontra uma fábrica que produz os seus cosméticos, ela envia para você, e você cuida da venda, do estoque e do marketing.

Você não produz nada. Compra de uma fábrica e vende.

E aqui vem a parte que alivia muita gente: você não precisa ser farmacêutica nem química.

Na terceirização você conversa com a química ou farmacêutica da indústria. Você diz que quer desenvolver um sérum hidratante; a pessoa que tem a expertise sugere os ativos, manda a amostra, e você aprova ou reprova. Não é seu trabalho saber qual ingrediente deixa o sérum com toque seco.

Algumas das marcas que nasceram do meu método são tocadas por pessoas que nunca tiveram contato com formulação, química ou farmácia.

Isso não significa que estudar não faça diferença. Você não precisa de graduação, mas vale entender o que faz uma niacinamida, o que faz um ácido hialurônico. Quanto mais você conhece o mercado em que está entrando, melhor.

O erro que me custou R$ 400

Quando comecei, eu simplesmente digitei “terceirização de cosméticos” no Google, e depois com o nome de vários estados. Contatei as fábricas e comecei a pedir amostras sem nem perguntar qual era o pedido mínimo.

Numa delas eu pedi uma lista imensa de produtos, um de cada. Paguei o valor de cada um mais o frete, uns R$ 400. Achei todos péssimos. Nenhum chegava perto da qualidade que eu esperava.

Se eu tivesse pedido um ou dois, teria chegado à mesma conclusão gastando quase nada.

O que eu faria diferente hoje:

Por que o tamanho da indústria muda tudo

Se você procurar a fábrica que produz para os grandes grupos, o pedido mínimo vai ser de cinco, dez, cinquenta mil unidades. Faça a conta com um produto de R$ 10 e veja onde isso chega.

Quanto menor a indústria, maior a chance de negociar um pedido mínimo compatível com quem está começando. Estoque enxuto significa vender logo, fazer o pedido seguinte e ver lucro para reinvestir.

Encontrar uma indústria pequena que tenha bons ativos, qualidade e bom atendimento ao mesmo tempo é difícil. É uma informação que praticamente não circula, e é por isso que a lista de fornecedores validados que eu entrego tem o valor que tem.

O critério que eu uso para aprovar um produto

Só lanço um produto na minha marca quando ele substitui todos os concorrentes daquele segmento no meu uso pessoal.

O mousse de limpeza da By LM é o melhor que eu já usei. O sérum hidratante com controle de oleosidade também. O esfoliante facial também.

Não é um critério científico. Mas é o que garante que eu nunca vou vender algo em que eu mesma não confio.

Por onde começar

Se você estava considerando o artesanal por causa do custo, faça as contas do outro caminho antes de descartar. Terceirizar com estoque enxuto costuma sair mais barato do que montar uma estrutura que atenda à vigilância — e você dorme tranquila.

Se quiser fazer isso com acesso a fábricas já validadas, que trabalham com quantidade mínima acessível, a consultoria individual encurta essa parte em meses. O Do Zero à Marca Própria tem o caminho completo em aulas gravadas, incluindo a lista de fornecedores.

Falei sobre isso em vídeo também: Como comecei minha marca de cosméticos sozinha, do zero e sem investir rios de dinheiro

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